Creme de inhame e repolho

Hoje tive um momento eureka na cozinha e decidi vir aqui partilhar convosco este acontecimento.

A história conta-se em duas penadas e começa como qualquer outro dia depois do trabalho cá por casa:

O que é que vou fazer para o jantar?

Hoje até era fácil. Como proteína já tinha uns bifes de atum temperados pelo que só me faltavam os acompanhamentos.

Em busca de restos do fim de semana vasculhei o frigorifico e encontrei hidratos de carbono com fartura: a saber inhames e repolho cozidos que tinham sobrado de um bacalhau com todos de há uns dias.

Assim e de forma a que os filhotes não reclamassem muito comecei a dourar os inhames da frigideira dando-lhes um crocante sempre saboroso.

Para aquecer o repolho olhei para um caldo de marisco que tinha a fazer para um bocadinho de cuscuz e decidi aquecer o repolho neste caldo ao invés de lhe enfiar no temível micro ondas. (  o repolho seria só para os adultos cá de casa – escusado será dizer. Ou seja a ideia era os adultos comiam cuscuz e repolho e o filhotes, batata e inhame ( disfarçado de batata)

Dito e feito…Mas eis-que senão, o meu mais velho entra na cozinha e começa a franzir o sobrolho ao inhame.. porque não gosto e etc e tal.. a mais nova ainda foi pior! bom, repensei a coisa e “eles vão comer o atum com cuscuz”,  mas olhei para a frigideira e estava-me já a passar… os restos agora já eram sobras de sobras… bom.. vou eu comer o repolho… mas e se eles não querem o cuscuz.. IRRA!  E foi aí que tive o meu momento eureka! Em vez de dar com a frigideira na cabeça dos putos, virei-a para dentro do caldo de marisco com repolho e meia cenoura ( e duas rodelas de chouriço que entretanto tinha juntado) e ..fiz um CREME DE INHAME REFOGADO COM REPOLHO. 

Tudo passado na varinha mágica e o filhote que ainda há 3 minutos me ameaçava de greve de fome, comia e repetia a dita sopa!. quando lhe disse o que continha tive medo de represálias, mas não. Aguentou-se e repetiu mesmo o prato!

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O Vale do Terra Nosta

20, Novembro 2013 Deixe o seu comentário

Na ilha de São Miguel existe uma localidade mítica e incontornável para quem passa por esta verdejante ilha:

O Vale das Furnas.

Aí temos além de  uma maravilhosa e muito cénica lagoa também temos  fumos e fumarolas a saírem do mesmo chão que pisamos, e ainda  jardins… dos mais belos jardins da ilha cujo expoente máximo é o Jardim do Terra Nostra.

Foi neste jardim que  em 1935 com o apoio de Vasco Bensaude se achou por bem abrir o primeiro hotel da ilha. Daí até hoje, muito se passou, e esta ideia de turismo à beira da natureza, parecia perdida no tempo. Não só, pelos Açorianos em geral como pelo próprio grupo proprietário do Hotel Terra Nostra.

Mas este ano algo de fantástico ocorreu. O Hotel Terra Nostra Garden sofreu obras de remodelação e não foram umas quaisquer. A aposta foi forte, de valor acrescentado e, espero eu, geradora de um movimento que leve definitivamente o turismo nos Açores para de onde não deveria ter saído: o turismo das experiências próximas da natureza.

Vem isto a propósito da apresentação da carta de Inverno do restaurante Terra Nostra na passada semana. Confesso que foi com muito agrado que recebi o convite para estar presente no evento, ainda para mais sabendo que a carta de vinhos do restaurante tinha ganho uma menção honrosa no concurso nacional de cartas de vinhos.

A primeira impressão que ficamos ao entrar no hotel é que a remodelação foi muito bem elaborada, inteligente e agradável. Mantendo-se o que é bom do estilo art déco com que originalmente foi decorado, mas modernizando-o.  Muitas vezes nas renovações existem rupturas com o passado tentando até esconder-se esse mesmo passado. Mas aqui tal não se passa. O passado é revisitado e relevado. É bom ver o orgulho na história, e este orgulho viria a ser um ponto chave como mais tarde iria descobrir.

O Restaurante do Hotel  ( Restaurante TN) também sofreu uma remodelação. As cadeiras estão mais cómodas, e existem menos mesas permitindo uma maior cumplicidade entre convivas. A iluminação também sofreu um melhoramento e mantiveram-se  os excelente linhos e equipamentos à mesa. Gostei do ambiente intimista. Soube também que os grupos que muitas vezes destoavam na experiência da refeição, são agora servidos no antigo Casino sendo este agora o local destinado para esse tipo de eventos.

Restaurante TN

E assim começa um jantar que se transformou em experiencia memorável.

Sentei-me à mesa, já depois de ter provado um cocktail com o nome de um dos mais antigos barman do hotel , e começo a sentir algo estranho. Algo mais estava mudado para além das melhorias evidentes à vista, mas ainda não o havia identificado.

O Jantar não poderia ter começado de melhor maneira, pelo vinho, pela comida, pelo ambiente e pelo serviço. Confesso que começar com um cogumelo simplesmente regado com um excelente azeite e flor de sal, foi de mestre, ainda por cima muito bem acompanhado com o D. Perignon 1996 que se apresentou soberbo. O serviço que agora é à americana ( serviço empratado) não teve falhas durante todo o jantar. Perguntei e soube que o serviço à Inglesa se mantém para o Cozido e mais alguns pratos clássicos, o que faz todo o sentido.

A carta está agora dividida sendo que uma secção é reservada aos clássicos, como o cozido nas furnas ou aos famosos Filetes de Abrotea.

carpaccio beterrabaDe seguida provamos um carpaccio de beterraba com puré de grão e vinagrete de avelãs.  A combinação é excelente e o prato é magnifico. Um dos melhores da noite.

Seguiu-seum  Ceviche de lirio  que se percebe, mas na minha opinião não estava à altura do que era, até então apresentado.

Depois uma experiência extra, de modo a mostrar que os clássicos também podem ser coisas simples.

Uma omelete! Uma omelete? pensei eu, mas isto estava a correr tão bem e vão me dar uma omelete? Mas tão cedo pensava isso, tão depressa estavam a explicar à mesa que o omelete era um dos pratos com mais sucesso no restaurante, e que os empregados de mesa estavam sempre a pedir um “especial” à cozinha para fazerem omeletes. Nunca tal adivinharia, mas o que mais me impressionou neste facto foi a apresentação feita pelo empregado de mesa que com orgulho nos contava o percurso do omelete até à nova carta e consequentemente aos nossos pratos. Gostei… e do omelete também!  Outro facto de relevo além da cremosidade fantástica do omelete foi termos sabido que  os cogumelos tinham vindo do parque mesmo ali ao nosso lado. Eu não sei se são mais saborosos ou mais ou menos coloridos, eu sei é que são de certeza melhores. São melhores porque são “dali” mesmo à nossa beira, e são melhores porque sentimos que houve alguém que pensou em nós e que foi apanhar cogumelos para a nossa refeição. O mesmo já tinha sentido quando no bar me tinham tido que as ervas aromáticas eram cultivadas ali perto no jardim.

Recosto-me na cadeira… isto é o que eu chamo de uma experiência! E o que procuramos nós mais quando vamos a um restaurante? Alimentar-mo-nos? certamente, mas para isso uma qualquer bola de berlim servia. Quando saímos mesmo para ir a um restaurante procuramos uma recordação, uma experiência, e eu estava a tê-la.

Romeira 1970

A sopa azeda pareceu-me muito boa, mas infelizmente foi apenas a segunda ou terceira vez que provei tal prato e confesso que não me fez soar muitas campainhas. No entanto reconheço que é um clássico da nossa gastronomia e que estava muito bem elaborado. A acompanhar foi servido um Romeira com mais de  40 anos, cujas garrafas magnun foram abertas com o devido cuidado. Mas eu que sou sempre hiper critico com todos os vinhos, comecei a torcer o nariz. Não estou habituado a vinhos desta idade, é óbvio, mas começava  já “a ver coisas” no vinho, quando em conversa com o Bruno Ferreira, sub chefe de sala e depois de debatidos os prós e contras de um vinho com tal idade me lembrei de um ensinamento de um professor de enologia, que uma vez me disse:  – Os vinhos apreciam-se com os cinco sentidos sendo que destes, 90% são da audição. Não sei se o tempo de copo fez algum milagre ao vinho, mas o certo é que  depois da conversa com o Bruno, aquele Romeira de 1970 era já uma maravilha.

De seguida foi-nos servido um entrecosto. Durante o jantar tomei algumas pequenas notas para me ajudar mais tarde se quisesse escrever algo acerca deste jantar e consultado-as só vejo uma palavra: Brutal! Mas este jantar ficou na memória e  lembro-me bem que a carne estava no ponto com um cítrico maravilhoso com aromas de alecrim. Foi o prato da noite  e é um prato a experimentar sem sombra de dúvida

As sobremesas estavam divinais e lembrando-me agora do que eram antes, estão a anos luz de distancia! Diria mesmo que da noite se fez dia. Mas …  algo mais estava a envolver toda esta melhoria de qualidade.

Este “algo mais” tinha a ver com as ligações emocionais que senti existirem, em cada pormenor durante o jantar. A preocupação e cuidado com que o Sr. João Vertentes – chefe de sala, apresentava cada prato e coordenava todo o serviço, era bem evidente.  Sentia-se genuína preocupação. E foi com agrado que vi também o chefe de cozinha Luis Pedro a explicar a ultima sobremesa da noite baseada nos Crepes Suzetes que eram muitas vezes servidos no Hotel Avenida de onde ele veio.

Estou ligado á restauração à mais de uma década e posso afiançar que, sem sombra de dúvida o facto de existir interesse pessoal em todos os promenores ,  é o que mais faz a diferença entre um projecto vencedor e os restantes. Normalmente só encontramos esse nivel de  preocupação (esses cuidados) em restaurantes cujos donos estão na sala ou na cozinha e dão a cara ao cliente. MaS Foi esta sensação que também senti no restaurante TN.

Entrecosto

Da carta de vinhos retenho grandes e belos vinhos que já não se encontram facilmente. É uma carta inteligente, mas preferia que o desconto dado ao hospedes do hotel, fosse generalizado aos restantes fazendo com que a carta tivesse preços que convidassem a vinhos de melhor qualidade.  Mas eu também gostaria que o chá no Ried’s fosse mais barato. No entanto não é por isso que não voltarei lá se tiver tiver nova oportunidade.

Está de parabéns o grupo pela aposta acertada e está de parabéns o Carlos Rodrigues director do Hotel que conseguiu levar o barco a bom porto. O Hotel Terra Nostra foi renovado assim como o seu restaurante e esta renovação foi feita para oferecer uma melhoria de condições aos clientes. No entanto é minha convicção que poderiam até  ter pintado o hotel de ouro mas o melhor investimento que o grupo fez nesta renovação, foi na melhoria da qualidade de atendimento/serviço do staff. A motivação está lá, o sentimento de pertença também o está e isso faz um mundo de diferença.

Acredito também que comportamentos geram comportamentos e espero assim que após confirmação deste grande sucesso, outros sejam replicados.

O turismo dos Açores passa por aqui!

ainda vale a pena?

1, Novembro 2013 Deixe o seu comentário

Será que após esta travessia no deserto.. haverá algo que vale a pena no horizonte?

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casa nova

29, Agosto 2012 5 comentários

http://vinhodescomplicado.blogspot.pt/

 

estarei por aqui, baquicamente falando, claro!

 

até já

 

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Alvarinho 2008

28, Agosto 2012 1 comentário

O Primeiras Vinhas da casa Soalheiro em Monção foi o primeiro vinho branco que me fez deixar cair o queixo. E logo um verde :)

Acabo de beber o Primeiras Vinhas 2008.
Sim 2008.
Mas estamos em 2012 dirão muitos, e obviamente com razão. Mas se há vinho capaz de deitar por terra o mito que brancos só novos, aqui está ele.
Cor âmbar, linda, dourada muito leve, aroma acidulo mas fresco e no paladar muitas frutas principalmente exóticas. O maracujá assalta-me os sentidos! E em menos de nada a garrafa acabou.

Um grande vinho, a provar que a casta Alvarinho se bem utilizada resulta em grandes vinhos de guarda.

Eu estou rendido.

E o caro leitor? Já experimentou um Alvarinho com “idade”?
Fica o desafio!

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10 Fest

20, Junho 2012 7 comentários

Já ouviram falar?

 

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Restaurantes em S. Miguel

20, Junho 2012 15 comentários

Então e agora? Prestes que estamos a entrar em plena época estival deste mui nobre troikiano de 2012. Que restaurantes em S. Miguel estão “recomendáveis”?
Neste época invariavelmente muitos me perguntam onde podem ir comer e eu quase que me arrepio com as opções.
No entanto ainda gosto muito de ir aos::

  • Boca de cena – PDL
  • Colmeia hotel – PDL
  • Era uma vez O Gato Mia – PDL
  • Populo café – PDL
  • Alcides – PDL
  • Rotas – PDL
  • O Brilhante – PDL
  • Galego – PDL
  • Mariserra – PDL
  • SP – São Pedro – PDL
  • Paladares da Quinta – Lagoa
  • O Gato Mia – Ribeirinha

E vocês?
Concordam? Tem outras sugestões?

(editado em 20/06/)

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